segunda-feira, 26 de março de 2007

Finalmente, as fotos do Carnaval



Wednesday, a miuda sádica e um tanto quanto soturna, ela (Eliana) adora brincar com seu desmiolado irmão Pugsley, como não havia nenhum Pugsley na festa, fui eu a infeliz vitima, submetendo-me a vários tipos de tortura... e até gostei!



Ser ornamentado por um belo bigode, delicadamente cortado com uma lâmina prateada, aparado com uma pinça de ouro e por fim, elegantemente penteado com um belo pente de marfim. Esta versão é muito mais romântica que a original, que apenas envolveu um pouco de sabão e uma lâmina de barbear da Bic, descartável, que provoca profundos cortes na região do queixo, que me obrigou a colar pequenos pedaços de papel higénico nas feridas, que saram logo que se coloca um after shave barato, banhado em álcool, que me fez soltar gritos de dor.

Empresário da noite, negociante de carnes, chulo... é assim que popularmente sou é tratado. Sendo eu este espécime raro da raça cigana que gere, a partir da sua barraca um vasto negócio de tráfico de mulheres, prostituição e proxenetismo. É dotado de uma personalidade obscena, agressiva, rude e imoral, caracteristicas essas que o dotam de um charme irresistível.



O Mago transformador de palavras em trovas do vento frio que passava, vindo das margens do rio Douro. O Mago Trovador lançando feitiços ás meninas incautas. O feitiço durou até o início da fase seguinte: o raiar do dia, o findar da magia do Mago Trovador, que impávidamente observava a Árvore de Natal a ser abarcada pelo bafo quente do Vampiro Social. Esta Árvore de Natal, de origem pagã foi indissociável da festa de Carnaval. Distribuindo presentes á medida que dançava, naquela orgia de maus hábitos, que era o Maus Hábitos. Prendas e prendas, árvores e árvores iluminando a noite, sorriso nos lábios, copo na mão, lábios no copo e mãos na cabeça e sorrisos na árvore. Ela bem podia ser de todas as cores, tamanhos e feitios, mas não, ela apresentava-se de branco, como se estivesse banhada pela neve numa manhã de Inverno, fresca e fofa. Mas neve nem vê-la, apenas uma chuva tímida humedecia os corpos cansados.



A Menina do Mar alimentou o sonho de quem lá estava, no mundo imaginário, vivido na sala daquele edifício antigo, numa qualquer rua tripeira, recorrendo ao universo marinho, repleto de mitologia no cimo daquele enorme escadario sombrio. Pela janela o rio devolvia as luzes, da parte de dentro um Dominó conversava com um Chulo. Uma Árvore de Natal confraternizava com um Mago. Um ser verde falava com um Vampiro Social. A Menina do Mar era pintada por uma Wednesday mal disposta e carrancuda, aliás, como é seu apanágio. Um ser transformista, de feições grotescas, ornamentado por uma peruca negra assombrava o local.

Ali, a Menina do Mar não conseguia separar a mitologia da imaginação, a relação do homem com a natureza, e a relação dessa mesma natureza com o homem, que já se sua natureza habita a imaginação, pelo menos a minha.

Ela não estava ali para contar a história do rapaz que vive na casa da praia de areia branca e fina, que vem um dia a conhecer uma menina do tamanho da sua mão, com cabelo feito de algas, que vive nas profundezas do oceano na companhia de um polvo, um caranguejo e um singelo peixe. Não! Nada disso. Ela estava lá para o regabofe, para rasgar a noite, para se libertar. Que a Sophia de Mello Breyner Andresen me perdoe, prefiro a versão daquela noite de Carnaval, embora a sua tenha um final bem mais feliz do que a nossa.

A versão original termina deste modo:

«-Agora nunca mais no separamos – disse o rapaz.
-Agora vais ser forte como um polvo.
-Agora vais ser sábio como um caranguejo – disse o caranguejo.
-Agora vais ser feliz como um peixe – disse o peixe.
-Agora a tua terra é o mar – disse a Menina do Mar.
E foram os cinco através de florestas, areais e grutas.»


A nossa acabou assim:

«-Eliana, podes levar o carro? – disse o Mago.
- Não, levo eu que estou como o aço. – disse o Cigano.
- Eu posso levar, não me importo. – disse a Wednesday.
- Apetece-me uma sandes de atum. – disse o Cigano.
- Eu estou bem, rsss, rsss, ronk ronk. – disse o Mago.
E foram os quatro, três a roncar e um a conduzir, um Mago a ressonar, uma Árvore de Natal com os olhos entreabertos, um Cigano a fingir que estava acordado e uma Wednesday já vesga pelo pesar do sono a conduzir, num regresso a casa, secretamente desejado.»




O ser verde, uma Árvore? Uma rocha musguenta? Um arbusto? Um duende habitando na raiz de uma árvore? Sinceramente não sei bem dizer qual o disfarce deste ser hospitaleiro que nos recebeu em sua casa. Tudo o que sei é que era verde, verde e castanha como se fosse um ramo, um enxerto podado pelas mãos calejadas de um modesto lavrador. Talvez fosse uma árvore, cujos frutos, de variedade soberba, se tornavam desejados? Seria ela um fantasma? A maçã é também verde! Ou até mesmo o passarinho verde que nos encanta? Verde, como vinho que nos sobe á cabeça, uma mistura de aroma e leveza? Verde como o Cesário, autor de uma poesia de finos retoques, que retratou de tão bela forma a cidade e os campos? Campos verdes? Verde como o Cabo, ilha que nos revela o esplendor, a sua beleza e magia africana?

Alguém me poderá dizer de que raio foi ela disfarçada!

sexta-feira, 23 de março de 2007

Noite de desilusão no Famafest



A noite no Festival Internacional de Cinema de Vila Nova de Famalicão prometia, com três filmes a concurso. A sessão sofreu uma hora de atraso, pois o júri encontrava-se a jantar. Quando este se dignou a aparecer ninguém da organização teve o bom senso de avisar o público, ora bem, por público entenda-se: Eu, o Ricardo e o Pedro!

Fechado, de Albert Radl



Fechado, é o nome de uma curta alemã, produzida por Albert Radl, com a duração de três minutos, metade dos quais não pude ver, pois se esqueceram de avisar o público atempadamente. Animação muito engraçada que me fez soltar algumas gargalhadas.

Rilke e Rodin, Um Reencontro, de Bernard Malaterre



Filme francês passado em 1902, onde Rodin, um reconhecido artista plástico, e Rilke, um poeta em formação se conhecem. Esta obra é falada num francês manhoso e passou sem legendas, excepto quando os actores falavam alemão, nessa altura passavam legendas, em francês. Muito chato, o que me levou a dormir um bom sono, e segundo consta, ressonei bastante alto.

Eles Preservaram Tudo O Que Lhes Era Querido, de Galina Evtushenko



Um documentário russo onde se retrata a vida do casal Nikolai Erdman e Angelina Steoanova, ele era um famoso dramaturgo russo e ela uma promissora actriz russa. As imagens do filme devido á sua antiguidade não eram muito famosas, juntando a isso umas legendas em inglês que se mesclavam na tela. Resultado: ou se via o filme ou as legendas. A história era chata e dirigida ao público russo...

quarta-feira, 21 de março de 2007

O Salazar é que a sabia toda!



Recebi por e-mail estas pérolas salazaristas:

Frases retiradas de revistas femininas das décadas de 50 e 60:

Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas.(Jornal das Moças, 1957)

Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afecto.(Revista Cláudia, 1962)

A desarrumação numa casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomarbanho fora de casa.(Jornal das Moças, 1965)

A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos.(Jornal das Moças, 1959)

Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzanos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa.(Jornal das Moças, 1957)

A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a umamulher que não tenha resistido a experiências pré-nupciais, mostrando queera perfeita e única, exactamente como ele a idealizara.(Revista Cláudia, 1962)

Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, naverdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu.(Revista Querida, 1954)

O noivado longo é um perigo.(Revista Querida, 1953)

É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido.(Jornal das Moças, 1957)

E para finalizar, a mais de todas:O LUGAR DA MULHER É NO LAR. O TRABALHO FORA DE CASA MASCULINIZA. (Revista Querida, 1955)
E porque hoje é o dia mundial da poesia...



Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade in "Os amantes sem dinheiro" (1950)
Livro de cabeceira: Xala



Obra do senegalês Sembene Ousmane que retrata os abastados, os novos-ricos e a burguesia da sociedade senegalesa. A palavra Xala significa quebra da potência sexual por feitiço, servindo esta maleita para nos mostrar uma sociedade pulvilhada por lutas de classes, de culturas e de religiões durante a década de setenta. A era colonial perturba a classe política... Estou a começar a ler e a absorver.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Tomar um café na Foz



Com o rio Douro no horizonte, o sol a bater na cara e uma chávena de café...

O som pedras, calcadas no caminho
Olhando as pontes sobre a água
A vista dos barcos na outra margem
Sentado ao sol, saboreando um café
Entrego-me ao vai e vem das ondas
Acordando, abrindo um olho, olhando-te
Faço uma escolha que não é minha
Torço o nariz e fecho os olhos
Em silêncio contemplo as gaivotas
Na água brilhante, ofuscadas pelo sol
Observo a maré, navego disperso
Sinto a maresia, o cheiro salgado
A primavera na minha frente
As folhas voam, pairam no ar
Olho o relógio, já são horas
Vais-te embora
Desperto na realidade, deixo a fantasia
Acordo do sonho, escorrego no sono acordado
Digo um adeus, e outro
Aceno enquanto te vais
E lá foste...
Noite de teatro no Famafest



Perdi a cerimónia de abertura do Famafest, mas cheguei mesmo a tempo de ver a Simone de Oliveira e o Vítor de Sousa a protagonizar a peça de teatro "Conversas de camarim".

Estes dois actores, acompanhados do pianista Nuno Feist , passaram em revista histórias de bastidores, situações cómicas e dramáticas, vidas atrás dos palcos. Essas histórias iam sendo ilustradas por poemas, ditos pelo Vitor de Sousa e cantados pela grande Simone de Oliveira.

Um bom espectáculo para uma grande noite, onde não faltou um dedo de conversa com o grandioso mestre do cinema português, Lauro António.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão



Neste fim de semana já sabem onde me encontrar! Onde estiver o Lauro António... serei a sua sombra.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Esta é a música que tem vindo a habitar a minha mente, importunando o meu estado de espirito, penetrando no último reduto do meu desassossego, aproveitando-se do meu estado de fraqueza...

Sia - Breathe Me



Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me

Ouch I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere else to be found,
Yeah I think that I might break
Lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
and needy
Warm me up
And breathe me
Livro de cabeceira



História de um idiota contada por ele mesmo ou: O Conteúdo da Felicidade, foi esta uma das prendas que me foram oferecidas pela Mogambilia por altura do meu aniversário, da autoria do espanhol Félix de Azúa.

Alguns historiadores qualificam o século XIX de século idiota. Isto é um erro. Século Estúpido, sem dúvida; século bobo, talvez. A categoria de deve, porém, reservar-se para o século XX. O protagonista desta novela é um idiota do século XX.

A idiotice como modo de atingir a felicidade, uma filosofia que tenho vindo a seguir, daí a minha satisfação em ler esta obra, com a qual me identifico, na qual me revejo um pouco.

Sim, sou idiota...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Cinema fantástico em casa



Como não me foi possível ir ao Fantasporto, ele vem a mim, ficando eu limitado a um viciante ecrã repleto de filmes que estiveram a concurso.

O primeiro da lista foi o Silent Hill, um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos. Ver este filme revelou-se uma agradável surpresa, cativante e de importância de relevo, talvez por ter a Radha Mitchell, uma actriz que tenho vindo a seguir, talvez por ser uma lufada de ar fresco no género de filmes de terror. A história está envolta em mistério, e dado que se trata adaptação de um videojogo eleva a fasquia, superando mesmo o Resident Evil.

Uma surpresa agradável. Bastante interessante. Dos melhores deste ano na área do terror.



Escusado será dizer que tive de sacar o filme da net, pois a sua chegada a Portugal, como de costume, levou um ano. Depois queixam-se da pirataria, quando os piratas são eles próprios...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Livro de cabeceira



Esta obra divide-se em oito contos, e ganhou o Grande Prémio Literário da África Negra em 1972. O autor, Henri Lopes, oriundo de Kinshasa no Zaire reflecte sobre África do período pós-colonial, denunciando e desfererindo ataques criticos aos governantes conhecidos pelo despotismo, pela corrupção e pela incapacidade inata de governar. Ainda só li quatro contos, mas foi o suficiente para me apaixonar por esta leitura.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Banda sonora para um dia cinzento, dia de aniversário

Imogen Heap - Hide and Seek



Para me ajudar a terminar este dia tingido em tons agrestes dedico esta música a mim próprio, acho que mereço uma coisa boa neste dia.

Enfim, é esta a música que me tem ajudado durante o dia de hoje.
Vida de cão, ora pois, a minha



A esta hora o meu outro canito, o Becas deve estar a gozar o sol por terras algarvias. E eu, feito cão. Um mudou de casa, arranjou um novo dono, um novo lar, o outro, está foragido algures em território russo, o ingrato!
As viagens do Yuri



O cão malvado, anteriormente conhecido como Penico continua a fazer das suas. Conforme noticiado no jornal Correio da Manhã, o pequeno cão (transfigurado em gordo e estúpido) foi visto em Esposende e em Santarém, surgindo suspeitas da sua estadia em Algés na companhia de duas prostitutas baratas. Tudo isto antes de embarcar clandestinamente numa pequena embarcação pesqueira, cheia de homens rudes que seguia em direcção ao Canadá. Já no Alasca, com o auxilio precioso de uma comunidade de esquimós deambulou até chegar a território russo. E é aqui que termina o seu rasto.

Agradeço a quem me fornecer informações sobre o seu paradeiro, de modo a que possa trocar com ele, de forma a que possa deixar de ser cão, voltando a ser o gordo estúpido a que já estão habituados.
A lengalenga do 1 de Março



Meu piolhinho, meu piolhaço, hoje é dia 1 de Março. Em Março, tanto durmo como faço

Historicamente, 1 de março era considerado o início do ano Romano; Os nomes latinos numéricos de alguns meses do ano reflectem isso. (setembro = sétimo, outubro = oitavo, novembro = nono, dezembro = décimo). (ver Ano-Novo).

Curiosidade: Se começares o ano em 1 de março, então cada data terá o mesmo número do dia nesse ano, não importa se é um ano bissexto ou não (por exemplo, 25 de Dezembro será sempre o dia 300). Além disso os meses seguem um ciclo regular de 153 dias, até o final de Fevereiro.

Raios partam os Romanos, sempre que o tema vem á baila levo na cabeça!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Amanhã será apenas mais um dia



Conforme a contagem decresce para o meu aniversário, mais apático me sinto. No infinito, os meus dilemas fechados, encarcerados sem permissão, ausentes em lágrimas de incertezas distantes. Separadas de tudo o que aconteceu, o mundo desaba, mas tudo bem. Noites em branco, nada importa, mesmo quando me dizes o contrário. Para mim o tempo vai, mas lentamente, sem companhia, sem história, vazio. Procuro sem entender, encontro sem querer, em passos largos, tentando passar o tempo inválido, insuperável, amargurado. A esperança do futuro que já passou, que me deixou agarrado ao que quero fazer, e ao que não fiz, esperando dias melhores, dando passos errados nos dias em que me remeto ao silêncio. Não conto a ninguém, apenas aceno, a ver os seus olhos, sorrindo, esquecendo o tempo.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Lancelote, o Cavaleiro da Carroça



É este romance de Chretien de Troyes que me ajuda a passar estas noites de insónias. O Lancelote é um cavaleiro, de origem incerta que se faz transportar numa carroça, esse meio de transporte foi-lhe oferecido por um anão. Lancelote abate-se contra a corte do rei Artur de modo a salvar a rainha Guenievre, que havia sido raptada por um príncipe malvado. Ao falhar esse objectivo fica cativo numa torre, de onde é resgatado por uma fada...

Mestre dos mais célebres romances arturianos, Chretien de Troyes escreveu esta obra em 1165.
Estou tramado, volta ó cão, quero trocar



Eis que recebo um postal canino, enviado do Alasca. Já suspeitava, do Alasca irá até á Rússia, onde certamente se alistará no Partido Comunista, conforme ele havia profetizado. Sinto que o perdi, e que além disso, ficarei para sempre cão, e ele, como gordo estúpido.

E por falar em estupidez minha (deste caso, dele) seguiu viagem pelo caminho mais longo.

Yuri, volta para casa!
Eu, feito cão, mas sem patas



Este é o primeiro post que publico enquanto cão. Desde já afirmo que não é assim tão mau. A casota é um bocado escura e sinistra, na qual perco totalmente a privacidade, mas comida vem sempre a horas, o que compensa. Além do mais deixaram-me levar o portátil para a casota, posso assim farejar a net, e procurar coisas de cão, largando pêlo on-line. Aguardem notícias caninas. Se entretanto encontrarem o Yuri, peçam-lhe para voltar para casa!
Troca, mão por pata



Uma longa conversa, entre mim e o meu cão. Ele pediu para trocar de lugar comigo. Assim sendo, eu me tornaria em cão, e ele num gordo estúpido. Disse ele, abanando o rabo – não me importo, estúpido já eu sou, e gordo, para lá caminho. Selamos então um pacto homem cão, mão na pata, pata na mão. O seu comportamento sempre foi antagónico ao dos seus semelhantes caninos, desde cedo desenvolveu um desejo, curiosamente idêntico ao meu, que é o de conquistar o mundo. E é aqui que o aluno cão supera o mestre humano, o que eu não consegui durante toda a minha vida, ele elaborou em poucos meses; um plano megalómano, infalível e inviolável para nos governar a todos. Além de ter alterado o seu nome, de Penico, para Yuri Nicovsky.

Então, hoje sou cão, e ele, um gordo estúpido, veremos então quem levará a melhor.
Sinto-me a estrebuchar



Passo rápido, viajo
Vejo-os, eles tocam-se
no fim de tudo
no cinzento das asas sombrias
e ele voa, suave
danço ao som desta música
sentindo um arrepio
sempre que a ouço
sinto um arrepio
estranhamente sou arrebatado
no silêncio que se impõe
mirando-os, ao longe
abraçados
a ouvir esta mesma música
vejo-os, revejo-me
hoje é um bom dia para terminar tudo
a dor caminha comigo
lado a lado
e no entanto, chove lá fora
Só para relembrar...



Este idiota é uma besta, um palhaço e provoca-me náuseas. Bem sei que ao insultar este nojento que não tornarei este mundo melhor, mas este gesto faz-me sentir bem comigo próprio, o que acaba por influenciar o que me rodeia, o meu mundo, e isso, meus caros, é o bastante.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Eis-me de novo desaparecido...



Fui raptado e mantido em cativeiro ás ordens do meu cão, recém militante comunista, tendo alterado o seu nome para Yuri Nicolovsky. Deixo-vos então com os surpreendentes Hurra Torpedo, numa arrepiante versão da já de si arrepiante A Total Eclipse of the Heart, da só por si arrepiante Bonnie Tyler.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

O meu aborto e eu



Que bom, agora que o referendo ditou o Sim, não mais terei vergonha em exibir o meu aborto! Ironicamente foi um movimento pelo Não que mo ofereceu, coisa que em nada me afectou. É ver-nos juntos a espiar o blog do Pacheco Pereira, espreitando a Sic Notícias e a 2: que exibe um documentário dedicado ao atum, bem mais importante do que qualquer debate sobre a vida humana...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Que bom, tenho um aborto de estimação!



Não me quero envolver na batalha sangrenta entre o Sim e o Não, só que o Sim e o Não estão sempre no meu caminho. Na televisão vejo senhores de bigode a entoar cantigas a favor e contra, coisa que me agrada. Fascina-me também ver partidos políticos envolvidos nestas coisas. Homens contra pessoas, crianças exibindo faixas coloridas ladeadas por padres e mulheres que já abortaram. Médicos e juízes, trolhas e advogados...

E não é que me ofereceram um aborto! Que giro que ele é! Traz um DVD e um manual de instruções. Tirei uma foto e tudo, só me falta atribuir um nome ao petiz...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O regresso, para outro dia partir...



O que digo quando ando em círculos
de olhos vendados
quando imagino coisas
em pensamentos colados
será que é desta?
sei que um dia lá chegarei
no meio da minha estupidez
pelo menos é esse o meu desejo
andar de cócoras
seguir o teu rasto
encontrar uma pista
que me faça pensar
imaginar
viajar
voar para lá
e de lá para cá
em círculos
até cair no chão
em vez de olhar
o que já lá vai
longe, de novo
até ao fim da linha e voltar
não está certo
ok, como queiras
será como da última vez?
está bem, eu calo-me…
abraça-me senão cuspo-te…
Tarde de sabado



Nada como aquecer alma com uns bons copos de vinho, numa tarde gelada de inverno. Foi o que fiz, perder a cabeça e visitar a tasca do Soares. Bons petiscos aqueles, bom vinho e bom ambiente, senhores a jogar ás cartas, a petiscar umas punhetas de bacalhau, um franguinho assado, queijinho com marmelada...

A alma quentinha, o corpo trôpego num arrasto lento e demorado. Uns olhos bem abertos, garganta bem regada, espírito renovado... e sair de lá consciente de que um dia lá voltarei, esperando que seja em breve, ou não...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Um café para ir de fim de semana



- Sempre que penso em ti, sinto que descobri a perfeição á face da terra. Bem que se pode pensar que a perfeição não existe, ou nós tornamo-nos pessoas menos exigentes. Mas… não! Já vi muitas maravilhas nesta vida, muitas delas quase perfeitas. Mas existe sempre aquela palavra mágica e perturbadora: QUASE!

QUASE perfeito, QUASE belo, QUASE pronto, QUASE cai, QUASE morri, QUASE que consegui…
Uma vida preenchida de QUASES! Mas TU NÃO! TU és PERFEITA, sem um QUASE que perturbe a tua existência. És a verdadeira obra-prima, elevada ao posto de PERFEITO!
Sou considerado uma pessoa exigente.

escrito pela Íris e publicado sem o seu consentimento, ora pois...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Adeus amiga, adeus companheira



É com enorme desconforto que comunico o malfadado destino da minha estimada enguia. Ela seguiu o caudal do grande rio, o derradeiro, o que leva aos céus. A sua alma permanece agora nas águas serenas do reino celestial.

Fiel confidente, objecto de conversas homem-peixe, onde com toda a sua sabedoria ancestral, me mostrava o caminho. A minha companheira de quarto, a minha inspiração finou, esticou a barbatana num último suspiro, na tranquilidade do fundo do seu, também meu, aquário. Aquário, de onde contemplava a luz do candeeiro, onde via a luz a acender e a apagar, para que começasse a nadar freneticamente.

Aquário onde me sentia compreendido, embora não sabendo nadar, ali me perdia no tempo, no tempo que seguía ao ritmo das imperceptíveis ondas, tempo espelhado no tom colorido das pedrinhas que ornamentavam a sua casa...

Espero que o céu não seja habitado por pescadores, mas sim por enguias como tu, enguias como eu, enguias como nós... Adeus enguia.

Neste dia enguiaste tu
para um próximo enguio eu...

domingo, 21 de janeiro de 2007

Música deste fim de semana...



Esta música rodou, rodou e rodou, todo o fim de semana, na minha cabeça e fora dela...

Gomez: We Haven't Turned Around

We came, we came, we came again
To stem the tide and point the blame
Came back from more
Came back to see what you had in store
Everyone join the line, everyone
Yeah

So you wanna spin the world around?
So you wanna spin the world around?
And anybody else, cut em down

So you wanna make catastrophe?
Wont you send it right over to me
I got some time
Everybody running high

The same, the same, the same again
To steal the time and haunt the graves
Just because its there
Dont mean you see it anywhere
Maybe its a trick of the light
Maybe, yeah

So you wanna spin the world around?
So you wanna spin the world around?
And anybody else, cut em down

So you wanna make catastrophe?
Dont you send it right over to me
I got some time
Everybody come alive

Yeah
So you wanna spin the world around?
So you wanna spin the world around?
And anybody else, cut em down

So you wanna make catastrophe?
Dont you send it right over to me
I got some time
Everybody running high

So you wanna spin the world around?
So you wanna spin the world around?
And anybody else, cut em down

So you say we havent turned around?
So you say we havent turned around?
Just everybody else is going wrong
Going wrong
Ida à compras...



Cada visita a uma feira de livros corresponde a uma tarde bem passada. E esta feira a decorrer no Mercado Ferreira Borges, no Porto, não fugiu à regra... Dois sacos de livros, dois sacos cheios de palavras, dois sacos cheios de histórias, dois sacos cheios de saber, dois sacos de livros usados, dois sacos que alguém já leu, e no entanto, que valiosos eles são, os livros nos dois sacos, os meus livros, que um dia serão de alguém que não eu...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

100 IDEIAS, um espectáculo com legendas

Sem título, mas com nome
Sem ideias, mas com legendas
Sem texto, mas com subtexto
Com cheiros e ruídos
Com gente conforme o espírito



Este é um espectáculo sobre a forma, acerca dos gestos, dos sons, das nossas almas. Mais de uma década a trabalhar a palavra, o texto e, agora, a sua ausência… finalmente o silêncio, o movimento, a angústia do peso do corpo, da sua locomoção.


De 12 de Janeiro até 17 de Fevereiro , todas as Sextas-Feiras e Sábados pelas 22h, já há uma boa desculpa para sair de casa e ir rir e cantar um bocadinho! O ARTEC sobe ao palco com a sua nova peça 100 Ideias, um espectáculo com legendas , no Bar Novo da Faculdade de Letras da Univ. de Lisboa.

Assim, pedimo-vos que façam o favor de deixar o sofá e a mantinha de lado e venham ao Teatro com a família, com os conhecidos, com os amigos e inimigos, tragam toda a gente!

As reservas podem ser feitas através dos nsº 96 588 97 05 ; 96 744 18 46 ou 91 429 61 25

O preço do bilhete é de 2€.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Nada, sobre nada



O primeiro post deste ano, que escrevo por escrever, em nada se baseia.

Então tudo bem?
Espero que sim, porque perguntas?
Que bom que as tuas entradas foram boas.
Que cagada de pergunta vem a ser essa?
Reuni-me com pessoas humanas.
Eu também, mas não só, também havia pessoas normais.

E há, antes que esqueça, feliz 2007 pra ti.
Sim, sim obrigadinho, agora põe-te, que eu quero chegar ali ao armário das bolachas.
Obrigadinho e até para o ano.

Foi esta a conversa que tive com a minha enguia, antes da passagem de ano. Antes mas nem tanto, nem tão pouco, nem nada, nem gerne. Digamos que ainda foi a tempo...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Os Reis Magos, em busca do Xiripiti



Segundo vi na Internet, o Zé Jorge em tempos escondeu uma garrafa de xiripiti; eis que vieram os Reis Mongos, vindos dos reinos de Pedome, Pevidém e de Vermil, perguntando aos sete ventos: ‘Onde raio está o xiripiti, recém aberto? ‘ Com efeito, vimos uma luz, a luz da estrela no Oriente, e viemos bebê-lo.



Nesta segunda grande peregrinação arranjamos mais um Rei Mago, curiosamente, e em resposta à Inês: nenhum deles era preto. Eu, o Ricardo e o Pedro, todos brancos, preto talvez o Zé Jorge, mas por ele ser o anfitrião e o detentor da garrafa de xiripiti assumiu o papel do Rei Herodes. O papel de Menino Jesus ficou entregue ao tio do Zé Jorge, pela surpresa que causou a sua aparição. As oferendas amavelmente cedidas pelos Reis Magos foram: Um pires de amendoins, uma garrafa de vinho da Madeira e um pedaço de bolo-rei. Nada mau para passar uma noite de adoração a uma santa garrafa…

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Cá está o novo inquilino



Neste vídeo é possível assistir aos estranhos hábitos deste monstro marinho. Tenham cuidado... muito cuidado...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Um novo amiguinho



Dos confins profundos e inóspitos deste nosso planeta chegou até mim este estranho ser. Graças à bondade da Manuela, que mo ofereceu.

Bicho aquático de rudes feições e de forma esguia. Diz quem vendeu que se trata de uma enguia de reduzidas dimensões. Nunca na vida tinha visto algo assim. Feio, o rapaz, mas muito simpático.



Por ser fêmea optei pelo nome de Mogambilia, por certo o bicho gostará, e é ver agora, o meu gabinete, que antes disto já era denominado de 'Sala Vasco da Gama', se torna agora na 'Sala Cabo das Tormentas', tudo por causa deste inquilino bicho/monstro...



Quero opiniões sobre o meu novo amigo...
Três anos num piscar de olhos



É como te digo... e fico-me por aqui; a quem o dizes! Pois, pois, é o que dizes a todas. Sem rodeios o tempo passa, transformando-nos, por ora nem bem nem mal, apenas como o sabe fazer, passando por nós como se nada fosse. Sendo só por si algo que passa a vida a passar, e durante três longos anos, que a pouco me souberam, foi por nós passando, e nós a vê-lo passar. Passa que passa, o tempo. Tempo de mudança. Tempo disto e tempo daquilo. Sempre o tempo a condicionar. Sempre o tempo a construir, sempre o tempo a deixar a sua marca em nós...



E assim se passou mais um ano, que somado aos dois anterior se faz três. Desculpa lá tempo, mas fintar-te-ei enquanto puder, muitos anos virão, e tu, a passar por nós...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Telefonema celestial



Jesus ama todos os homens, embora nutra de um especial carinho pelo nosso amigo Zé Jorge. Só que este o renega. Por certo que é estranha esta atitute, pois muita gente não acredita em Jesus. Só que este liga ao Jorge, mesmo assim ele não crê! Mesmo conhecendo-o, mesmo tendo o seu número de telefone... Pedro negou três vezes, o Jorge já deverá ter negado umas novecentas e trinta vezes...
Mais uma noite de pavor



Os coelhos voltaram a importunar os meus sonhos, apareceram pela calada da noite enquanto eu dormia descansada e relachadamente, refastelado, de pernas abertas, soltando roncos que ecoavam no silêncio da noite. Aqueles seres felpudos e fofos, detentores dos meus maiores receios, munidos de instrumentos pontiagudos, que subiam pelo meu nariz. E eu ali, inerte, anestesiado pelo medo, soltando apenas alguns gemidos surdos. Entravam-me pela boca e lá ficavam. Horas e horas lá ficaram, os coelhos. Acabando por sair pelas orelhas, provocando-me arrepios. Porquê coelhos? Porque me fazem mal? Roem-me o buço e lambem-me o pescoço, mordiscam-me a cartilhagem da orelha. Arranham-me a nuca… Grande porra de coelhos. Acordo no sonho, desperto, embora continue a dormir. Ajo como se de um caçador me tratasse. Os malditos penetram-me nos olhos que soltam lágrimas de raiva. Aponto a arma a um. Coloco-o na mira, disparo. Recuso o disparo. Não tenho coragem de matar o pobre animal. Ele sente a minha fraqueza. Olha-me nos olhos. Olhos pequenos e tingidos de encarnado. Faz sinal aos outros. Olham para mim e retiram-se, deixam-me sozinho no meu quarto. Como que por magia desaparecem. O meu olhar deambula pela escuridão quando acordo...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Passaporte para o Inferno



A intriga e o mistério povoam este policial. Nada como uns casos por resolver para captar a minha atenção, para me entreter durante estas noites em que só me apetece ficar juntinho ao aquecedor, a comer como um alarve, envolto numa crise de anciedade.

Neste romance encontrei um desafio, um enigma que me desconcerta, o qual tentarei resolver antes de folhear as últimas páginas do livro...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Queria ter ficado ali, maravilhado



É como te digo: foi o que te disse. E tu, sorriste e calaste-me com um beijo. Desarmaste-me com o olhar e seguraste-me com ambas as mãos. Deitados na cama, juntos. Alheios a tudo, alheios aos sonhos, alheios ao momento. Cúmplices entre si, de cabeças unidas, corpos colados… e ali ficaram olhando-se de olhos fechados, palmas das mãos entrelaçadas, parados no tempo. Dois corpos ali, confidentes, dispostos lado a lado. Os olhos que não viam, mãos que não tocavam. Admiravam apenas, para que não ficassem sozinhos, para que não ficassem um sem o outro. O abrigo em que eles se recolheram, recusando fugir, entregando-se. O silêncio que se desfaz, o som que não se ouve. As sombras firmadas no branco do lençol, criando figuras gentis, que se vão deformando. O dedos que se desviam, os lábios que adormecem no jogo dos corpos… E a música a tocar...

If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

I don't quite know
How to say
How I feel

Those three words
Are said too much
They're not enough


Snow Patrol - Chasing Cars
Agostinho da Silva - Relexão



Trata-se um ensaio sobre a filosofia da História portuguesa, o seu sentido histórico face a um povo que se transcende.

“O que Portugal fez de maior no mundo não foi nem o descobrimento, nem a conquista, nem a formação de nações ultramarinas: foi o ter resistido a Castela. O ter mantido, através de sangue e fogo, o princípio de independência dos povos periféricos. E o ter mostrado… de que modo uma Espanha livre e convivente poderia ter transformado a face do mundo”.

Reflecte a importância da batalha de Aljubarrota, que nos manteve a esperança. Reflecte a Saudade, e a outra característica deste povo; a Acção.

Nesta viagem Sul-Norte, deitado num banco, isolado na solidão de um autocarro, li e meditei, entreguei-me à leitura deste ensaio, e quando me dei conta, era já tarde demais, tinha chegado à última página. Uma boa experiência de leitura.