quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Seven Samurai de Akira Kurosawa



Nesta jóia da coroa do cinema Japonês datada de 1954, o mestre Akira Kurosawa conta a história de uma aldeia em apuros que recruta sete samurais desempregados para a proteger de uma quadrilha de trinta e três saqueadores implacáveis. O filme combina filosofia e entretenimento, frágeis emoções humanas e empolgante acção. Com a participação da lendária estrela do Japão, Toshiro Mifune, Os Sete Samurais é um épico inspirado, um triunfo da arte e uma inesquecível aventura.
Adorei ver este filme, marcou-me imenso. É a magia do cinema, a forma como um filme não se perde no tempo, como um bom livro, a cada ano que passa enriquece, engrandece, é desta arte que eu gosto, a intemporal…
Toca a beber um copo, ou dois



Num qualquer dia desta semana, à noite, encontrava-me confortavelmente instalado no meu quarto, o telemóvel toca, e, do outro lado fala o Zé Jorge. Ele referiu a palavra Xiripiti e eu abanei a cabeça afirmativamente. Zé Jorge, o pândego, convidou-me para beber um copo, já que a sede seca as goelas. Demos ali duas de treta, com as nossas vozes roucas castigadas pelo frio do copo da bebida da casa. Para a mesa veio um pratinho de picadinho, pequenos pedaços de carne fofa acompanhada de engraçados e coloridos pickles. O empregado já nos conhece e vai enchendo os copos. Palito na azeitona, pão no molho, copo no bico. Conversa e desconversa. Um cigarro e outro…
Zé Jorge encontra Jesus...



Jesus, não o da Galileia, mas sim o das Caxinas engraçou com o Zé Jorge, deixando-o assustado, assaltando-o com mensagens, telefonemas e sms’s.

Para este tema investiguei na internet e descobri este site Jesus era Gay?

O maior argumento para se comprovar que a bíblia não condena o amor entre pessoas do mesmo sexo é o facto de Jesus Cristo nunca ter referido nenhuma palavra contra os homossexuais! Se a homossexualidade fosse uma coisa tão abominável, certamente que o Filho de Deus teria incluído esse tema na sua mensagem. O que Jesus condenou, sim, foi a dureza de coração, a intolerância dos fariseus hipócritas, a crueldade daqueles que esquecem da caridade e do respeito aos outros. (Mateus, 7:21)

E foi ele próprio quem deu o exemplo de tolerância em relação aos "desviados", andando e comendo com prostitutas e pecadores. E tem mais: Jesus Cristo mostrou-se particularmente aberto à homossexualidade, revelando carinhosa predilecção por João Evangelista, "o discípulo que Jesus amava". Há probabilidades de que Jesus fosse gay, pois além de nunca ter condenado o homo erotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio género, manifestou particular predilecção pelo adolescente João e nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade com as crianças e com os lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre heterossexuais.

O que demonstra que Jesus era mesmo homossexual, que o diga o Zé Jorge…

Oportunamente desenvolverei este tema com pormenores sórdidos que chegam mesmo a roçar a divina chalaça, com a sua mãe na montra ao lado das pastilhas elásticas e das batatas fritas…

terça-feira, 21 de novembro de 2006

O Mapa dos Ossos de James Rollins



Estou entusiasmado com a história narrada nesta obra. Está repleta de acção e permite que, ao fim do dia, me esqueça da vidinha...

Um grupo de mercenários disfarçados de monges rouba as ossadas dos Reis Magos e extermina fiéis com hóstias envenenadas. Ao seguir a única pista deixada pelos assassinos, a equipa de Gray Pierce depara-se com um segredo sagrado há muito perdido e que irá colocar as chaves do mundo na mão do seu descobridor....

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Instrumento do sonho



O caleidoscópio permite observar, saborear e viver, bastando para isso rodá-lo. De cada ângulo, uma percepção diferente, uma nova visão do mundo. Um golpe de magia pura. Eu transformo-me num mágico, usando para tal a imaginação, onde me sinto criador de sonhos, habitante do universo da fantasia e plenamente realizado. E é neste Outono chuvoso em que me encontro que saboreio todo o esplendor criado pela simplicidade de um objecto criado pela Mi, que com botões e um rolo de papel de cozinha, obrou uma obra prima, revestida de esplendor e magia, que seduz e maravilha. O pequeno orifício por onde espreito permite-me encetar uma fuga, uma viagem sem espaço nem tempo. Sem lei e sem ponto de chegada. Viajo e isso basta. Chega para me preencher. Vidros coloridos numa superfície espelhada, será isso o caleidoscópio? Será apenas um brinquedo? Um engenho tosco? Nada disso, para o constatar temos de o rodar, de o fazer girar em toda a sua plenitude e de nos permitir a encetar um voo, através de belas imagens, geometricamente combinadas, coloridas em padrões que mudam a nossa percepção, que parecem nunca terminar, a cada volta, algo novo.

E assim passei a tarde de domingo, a viajar, a sonhar e a admirar o amarelo do sol escondido no cinzento das nuvens que preenchiam o céu azul. E ao longe, um arco iris. Gotas de chuva que timidamente me tocavam e um cheiro a castanhas assadas, vindo de um qualquer lugar, ali mesmo, e eu… tão longe.
Filme: Os Amantes Regulares



A narrativa baseia-se no Maio de 68. A revolução estudantil estava na rua, Paris estava repleta de tumultos. E é nessa altura que tem lugar uma história de amor na conturbada cidade luz.

A história é um bocado (grande) chata, lenta e provocou sonolência generalizada na sala. Era constante a desistência do público, que aos poucos abandonava o auditório. Ainda aguentei a primeira parte do filme, que durou uma hora e meia, após o intervalo optei pelo mais sensato: ir embora. Detesto abandonar filmes com estes ainda a meio, só que este era excessivamente longo e chato para aguentar outra hora e meia numa noite pastelenta de domingo. E lá fui eu a bocejar, rumo a casa, que amanhã seria segunda-feira…
Futebol à chuva



A chuva era constante e ritmada na freguesia de Pedome. Às cinco e meia da tarde tinha lugar mais um jogo de futebol. O Pedome contra uma equipa qualquer, não sei o nome, apenas me lembro da cor do equipamento: amarelo e verde. A chuva entranhava-se no meu impermeável, após o Zé Jorge me ter roubado o guarda-chuva. De cima para baixo ela respingava sem cessar, escondendo-se por momentos. O jogo foi ultra chato terminando num modesto 3-3. No fim do jogo nada melhor que o aconchego de um banho quente e do fato de treino da praxe. Haja paciência!

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Vou ver uma peça de teatro



A quem interessar hoje é a última apresentação da peça: Os Vendilhões do Templo. Da autoria do Teatro Universitário da Universidade do Minho. Toca a aparecer no Auditório Nobre aqui na UMinho em Guimarães pelas 21h30m. O preço da entrada fica-se pelos 2€ e é o último dia... Eu vou... Tá dito!

O "adepois" de assistir à peça...

Vi e gostei. A peça ofereceu uma base para a reflexão do consumismo, e do seu peso para a nossa felicidade.

No palco aparecem uns vendedores de inutilidades que se transformam em sonhos. Temos o caso do Aspira-a-dor que se transforma na Julie Andrews, que nos devolve a felicidade, que nos torna mais humanos, e que por uma astronómica quantia poderá ser nosso. A Bici-caneta, que nos permite andar de bicicleta e escrever ao mesmo tempo, e que, se atrelada a um avião permite voar e escrever no azul do céu. A Invenção da Roda pode também ser nossa, por um preço – tudo o que temos, e tudo o que viremos a ter. O Colchão que dá choques e que nos dilacera para que não desperdicemos tempo a dormir…

A narrativa ajusta-se ao modo de vida do ser humano, eterno insatisfeito e sempre com sede de mais; enquanto a sua sede de aquisição de inutilidades não é saciada, o seu descontentamento é inevitável, daí advêm as depressões e a ideia da infelicidade.
O tempo passa, a uva também...



Muitas milhas foram percorridas nesta viagem inter-espacial, que em vez de uns míseros segundos se aproxima surpreendente dos três anos-luz, num lugar comum onde o espaço temporal permanece há já muito tempo perdido na memória dos dois corpos estrelares, radiantes criando luz pisca-pisca. E foi dentro dessa geometria espacial que encontrei o ser que me bateu á porta. Ser esse que me faz sentir triste na sua ausência; o ser que me faz soltar um fio de baba; o ser que faz toar tambores surdos que me gritam aos ouvidos; o ser que me faz sentir tolo e acordado…

17 Memórias
17 Sorrisos
17 Beijos
17 Elefantes albinos
17 Canções
17 Pedras no mar
17 Lágrimas remelosas
17 Diospiros (com bicho)
17 Soluços
17 Berloques
17 Ilusões
17 Dias…

Dias que brincam, que se divertem, que são puros e recheados de outros dias que não acabam. Que nos aparecem e desaparecem, que nos escorregam das mãos e que se transformam em mais dias, que nos aprisionam num ciclo formado por dias que percorrem o tempo. Mas o tempo dos dias é escasso. Palavras percorrem o espaço dos dias que passam. As palavras esbatem o mundo, falam nos dias em que te vejo. Dezassete segundos, dezassete dias, dezassete meses, em que eu corro, em que dou a volta ao tempo. Tempo em que te conheci, tempo em que irá passar dezassete anos. 17 é o número que passa lentamente num segundo, que me faz andar dia sim, dia sim em busca da força interior que faz girar o meu mundo, que é teu, onde chove, onde algo me mexe profundamente, naquele dia 17, naquele olhar eu vi: este é o momento…
Misticismo e rituais: os pés que falam



A Ciência da Quiroprática Neurológica entrou ontem na minha vida pelas mãos da Íris. Fui surpreendido com a exactidão assustadora desta ciência que ajudou a desvendar os números que vão sair no euromilhões nesta semana. Testemunharam além de mim, a Sofia e a Diana, estupefactos com a destreza com que a mestre do oculto; a filosofa corporal; a artista da aura e a cientista da palma do pé Íris respondia às diversas questões levantadas.

O segredo estará na vibração das ondas libertadas pelo mau cheiro dos pés? A micose interfere com a aura?

Muitas questões se levantaram… e eu vou obter resposta… nem que me tenha de sujeitar ao tratamento… e logo eu que tenho uns pés muito mentirosos.
Pessoa pequena que me persegue



O que obtemos com a junção de uma criança (conhecida por Nuno) de dois anos e uma bota? A resposta será um olho negro, dependendo da força com que a bota é projectada. Embora de pequenas dimensões o puto já tem uma força invejável, pelo menos comparando com a minha, ele vence. Apesar de medir apenas um palmo e meio de ter começado a emitir as primeiras palavras, o traquina já me vence na argumentação. A minha sorte é a de que as minhas pernas correm mais que as dele, caso contrário já me teria dado uma sova, pelo menos há muito tempo que eu a merecia. O cabra da peste e a sua batalha contra a força invisível do penico azul e o seu gosto por arroz.

No meio de tudo isto, o que me preocupa é o facto de que ele é mais maturo do que eu…

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

João Broncas



Alvaro Vitali, mais conhecido entre nós pelo nome de João Broncas. Arranjei um filme dele, La Liceal que data de 1975. Esta personagem acompanhou o meu desenvolvimento como homem (com h pequeno). O seus filmes são comédias bastante inocentes para os padrões actuais, a nudez era o prato forte, sendo exibida de modo a aguçar o espectador. Cuecas ao leu, seios desnudados, mas nada relacionado com sexo explicito.

Lembro-me bem do impacto que esses filmes tinham em mim, a vontade com que os via. As saudades com que fiquei do tempo em que a inocência nos tornava alegremente estúpidos…

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Noite de consciencialização

Dediquei-me a assistir a dois documentarios que estavam em lista de espera, tanto um como o outro me marcaram imenso e me deixaram a pensar, e muito que pensar...

An Inconvenient Truth



Al Gore (para os mais esquecidos, relembro que este chegou a ser vice-presidente dos Estados Unidos, tendo sido derrotado nas eleições em 2000 contra o macaco do George W. Bush. Tendo mesmo ficado à frente na contagem, mas perdido na secretaria, numa eleição povoada pela dúvida e controvérsia)

Ele tem vindo a fazer palestras, não só nos Estados Unidos, mas também na Europa e Ásia, apresentando dados científicos sobre o escalar da crise climática, alertando para o aquecimento global, de uma forma clara, rigorosa e motivadora. Este documentário merece ser visto por toda a gente, quando digo toda, quero mesmo dizer toda! Devendo ser encarado como um argumento científico, político e moral para que o mundo acorde para a realidade.

Road to Guantanamo



Este documentário relata a detenção de três cidadãos britânicos, que ficaram dois anos em cativeiro na prisão norte americana na Baía de Guantanamo (Cuba) onde se viram privados dos seus direitos, liberdades, e onde foram torturados e duramente humilhados sem quaisquer acusações.

Foram acusados de pertencer a grupos terroristas afegãos sem quaisquer provas ou indicios.

Mostra a vergonha que os exércitos das nações livres lá foram exibir. Admito que fiquei com um pó ainda maior em relação à política norte-americana...

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Numa viagem de rotina ao genial site http://portalpimba.blogspot.com/ dei de caras com mais um ícone do bem cantar em Portugal.

Nesta brilhante canção, a artista refere sem cessar a sua solidão face a um amor perdido no tempo e no espaço, aqui fica um cheirinho da letra:

Solidão às vezes faz bem...
Meu amor, tenho saudades de te ter aqui
não te amo desde que parti
Meu amor, tenho saudades de te ter aqui


Neste videoclip recheado com tudo o que a tecnologia moderna permite, chega mesmo a roçar o estilo futurista, nomeadamente no close up que aparece quando a interprete se faz transportar numa pista de carrinhos de choque na companhia do seu amor. À beira rio, ou no bosque, possivelmente em busca dessa mesma apregoada solidão...

Fiquem com a doce Erika, e com o seu fantástico tema - Solidão...

A viagem de regresso a casa



Na decadência do amanhecer de domingo, quatro seres humanóides; uma epopeia digna de figurar na capa do 24Horas. Cantares ao desafio e ranchos folclóricos. Emoção e aberração, medo e alegria, perseguidos por uma aura embriagada. Um calmo e sóbrio, os outros três eufóricos e sem medo de penetrar nas portas do inferno. Deveria ser o destino daquele carro, o Inferno e a penitência eterna, aquelas quatro pobres almas pecadoras. O Mogambilio, o Zé, o Jorge e o Bolas, prevaricadores, almas penadas e bem regadas a percorrer na auto-estrada rumo ao degredo, à repatriação, no regresso a casa.
O voo através das faixas de rodagem tempestuosas levava-os direitos a uma pastelaria, dado o objectivo primordial de comerem algo que aconchegasse os seus espíritos amaldiçoados por uma larica avassaladora. Anões e velhinhas a atravessarem na passadeira, pássaros a atingir a viatura com cagadelas estrategicamente disparadas. Um pequeno-almoço em que o Jorge levou mais de uma hora a mastigar um croissant com fiambre, naquele ambiente enfadonho tudo os incomodava, e tudo se sentia incomodado. Pessoas acabadas de acordar, pessoas que ainda não tinham ido à cama, uma mistura explosiva e inconciliável…
Publicidade enganosa ou pedofilia?



A expressão sexo com menores é demasiado genérica, e engloba uma série de situações, pelo menos foi o que li na internet. Na presente história vou omitir a identidade dos intervenientes, dando-lhes nomes fictícios de José, um poderá ser Jorge e o outro Manuel. Ambos agiram de modo libidinoso, ignorando a idade da vítima, que seguramente aparentava ter mais de 18 anos. Neste caso a publicidade era nitidamente enganosa, a embalagem não correspondia ao produto. No mesmo site li que o simples desejo sexual já caracteriza a pedofilia. Vou-lhe atribuir o nome fictício de Maria da Graça, e o suposto crime ocorreu num lugar também fictício, a qual chamarei de Fojo. A idade da vitima corresponde a uns catorze anos de idade, e o inferno espera, de portas escancaradas… E Jesus lá no meio, pecando por ter omitido a idade da jovem por que se fazia acompanhar...

Obviamente que eu, seguro da minha inocência me imiscuo de toda esta história, a minha participação é a de um mero narrador que esteve à margem das blasfémias cometidas nesta noite de S. Martinho…
As castanhas do Senhor



Entro no carro e sigo até Fão, um trajecto agradável pela madrugada fora ao encontro das castanhas que por mim esperavam. Conduzia na noite fria e bela, mordendo o lábio e a ganhar apetite para o Magusto. O Fojo esperava por mim, e eu chamava por ele. As castanhas gritavam o meu nome. Uma vez chegado ao Fojo, a comunhão com gente embriagada, cantando e disparatando, um cenário constante e maravilhoso, um grupo de mongos a deliciarem-se com castanhas e com o sabor natural do vinho martelado.
Foi-me anunciado que Jesus (himself) e o Cristo (Zé Jorge) me estavam a assar as ditas. Fiquei de imediato curioso com tamanha honra. Vindo depois a descobrir que se tratava de um outro Jesus, não o da Galileia, mas sim o das Caxinas. Não o carpinteiro, mas sim o pescador…
A manhã raiva através da janela, a luz penetrava no recinto, eram já horas de regressar, abençoados por Jesus… não o Messias, mas o assador de castanhas…

Jesus discursou sobre as diversas características atribuídas pela sociedade às diversas técnicas de masturbação, desde pontos razoavelmente consensuais até opiniões que foram tidas como anormais, envolvendo meias ou que, após o advento da execução da hedionda prática, desencadearam o surgimento de uma nova discussão, desta feita relacionada com práticas sexuais, castanhas assadas ou cerimónias religiosas na Póvoa do Varzim...
Tarde de futebol



O jogo deste fim de semana realizou-se em Landim, onde o Pedome defrontou o M.A.L e saíu de lá derrotado por 4-2. O jogo foi bastante chato, não tendo havido violência, e o número de impropérios lançados pelos adeptos foi reduzido. A tarde estava solarenga e convidativa, mas o futebol jogado foi de uma notória falta de qualidade, tendo em conta de que se tratam das duas equipas mais competitivas do campeonato.
Alien, mais um regresso



A lua olhava-me, suspensa, lá de cima. As nuvens discretas disfarçavam o estrelar do céu. Seguia viagem, divagando pela estrada, saboreando a noite fresca e iluminada, como tantas outras, a música que tocava fazia-me viajar na mente, cortando a monotonia da solidão no asfalto. Chegado ao destino, vislumbrei a chegada a sua embarcação espacial, de semblante brilhante e luzes coloridas intermitentes, vinha airosa e cansada da longa viagem. Senti um arrepio, e outro, mas logo me recompus, pois o tal ser também me esperava. Seria coincidência, obra do acaso ou este encontro estaria previamente combinado? Não sei dizer de minha justiça, direi apenas que estava predestinado a acontecer. Pressenti a sua chegada quando ela me bateu suavemente na janela.

Abri a porta e deixei-a entrar, segui viagem, transportando-a até ao seu destino, à sua dimensão paralela entre Lisboa e Santo Tirso, passando por Famalicão. Ela sorria, aquele sorriso que me seduziu, durante um fim-de-semana preenchido e momentos únicos em que apeteceu a loucura, uma fuga a dois encetada a este mundo vazio de fantasias. A esta tua vinda rejubilei (e depilei) mas não desmoronei, dei por mim fortalecido… E mais uma vez partiste, na tua nave, rumo a uma qualquer galáxia perdida na mouraria… O fulgor da tua partida, um dia regressarás, voando no cimo da tua nuvem e retomarás o teu lugar, o lugar que procuro…

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

O cheirinho a Outono



O seu cheiro característico, tipicamente desta altura do ano, desperta em mim sensações variadas que vão desde a nostalgia, à água na boca e muito vinho no bucho. Quentes e saborosas, as castanhas. As primeiras deste ano foram cozidas, e que bem me fizeram. Com a chegada do muito anunciado outono, que consigo costuma trazer nuvens, nas quais o sol se esconde; o frio que se entranha em nós, para não falar do encolher dos dias... o conforto do calor ao assar, cozidas, assadas e até mesmo cruas...

“No dia de S. Martinho
Rabusca o teu soitinho
Faz o teu magustinho
Encerta o teu pipinho”