quinta-feira, 27 de março de 2008

Lista de compras para um dia chuvoso



Peras para eu crescer viril
Cenouras para ficar com os olhos formosos
Tomates para ver se me torno num homem
Cogumelos para ver se fico ainda mais alienado
Massa para ficar rijo com um touro (de morte)
Arroz (que raios, estou farto de comer arroz)
Iogurtes líquidos para bebericar no comboio
Natas para lamber as beiças
Ananás em calda para terminar a refeição com a boca açucarada
Latas de atum para o caso de a humanidade estar a ser atacada por bichos (para poder petiscar no sótão secreto do armário)
Batatas Fritas por pura lambarice
Cebolas para poder soltar umas lágrimas sem perder a pose de macho
Couves que são óptimas para limpar o rabo (no caso de estarmos no meio do campo e não existir nada com que o limpar)
Bacon aos pedacinhos para cozinhar a minha especialidade (o que provoca desprazer a quem o experiência)
Cerveja para poder arrotar alarvemente enquanto faço coisas másculas
Queijo para comer à manada sempre que me apetecer
Pão para penicar enquanto como o queijo
Sumos porque na minha casa existe quem não beba álcool e me chateia a cachola por eu sorver uma bejeca fresquinha
Ovos para se partirem durante a viagem
Desodorizante para disfarçar o fedor emanado da sovaqueira

segunda-feira, 17 de março de 2008

Diário de bordo, de um comboio que pega em mim e me leva para onde ele vai



O pijama dobrado na cama, imaculadamente engomado, pousado no lençol suado. Lágrima que cai, deixando marcas vincadas que em vão se tentam esconder perto de mim, se assim o poderei dizer! Poder dizer no fim, e então: mostrar-lhe (para sempre). Tensão terrível que me faz gritar, ecoa atabalhoadamente na minha cabeça, queima-me. O poste sob o muro da casa junto ao rio, e eu na outra margem que me devolve o olhar curioso. Peixe podre na varanda, sonhando em ver a noite de pernas para o ar, enterrando as orelhas nas lâmpadas, perdendo as rédeas. O arranhar das unhas na pele macia, fazendo com que o meu acordar seja ingrato. Cuspo para o ar, sou de novo bafejado pelo fluxo vigoroso de uma chapada que falhou o alvo, deambulando no ar.

Uma nova alma neste mundo. Medo de falhar, de perder a distância que ainda falta percorrer. Sensação estranha esta que rebola nas minhas tripas mal cheirosas. Agarro o poste (do lado de fora) que me foge, deixo-o ir. Fico de mãos vazias coladas no vidro da janela. O final feliz que não aparece, parece-me um engano. Um possível engano que me persegue em passo de corrida, vagueando apressadamente, eternamente, sempre pronto para partir em direcção ao limite. Desgovernado, perco o norte, ali a olhar o sol, nunca me perdoando por algo que ainda não fiz (nem que devia ter feito).
Mais uma vez o tempo, preso na parede, da noite passando para o dia, voltando ao ponto de partida se qualquer noção de o ter feito, sem lembrança. Um arrepio gélido atravessa-me a espinha, um tufo de gelo percorre-me as veias que vão engrossando com o crescente nervosismo, como se estivesse numa gaiola enferrujada, de onde não esperava sair, mas de onde tentava a fuga. Porém ainda não fora desta que reunira as necessárias forças (vou trincando uma bolacha) que me eram sugadas pela desilusão. Mais uma vez espreito pela janela. O meu pé esquerdo dormente, a perder lentamente a sensibilidade, o chão move-se, saltito em passo de corrida. Um som vem do lado de fora, sempre o mesmo som. Ainda não venci o meu medo, mais uma vez havia perdido a coragem de esticar o pescoço além dos limites impostos pela janela, mais uma vez ficara a desconhecer o dono de tal som que ecoava nas minhas orelhas. Uma comichão começa a arrepanhar-me o pescoço, mas a preguiça não mo permite coçar. Coço para a semana (pensei eu):

- Na verdade, se queres saber, estou-me a cagar para tudo isto. Desisto!

Esta ideia de derrotismo não me saia da mente, apesar de em certas alturas esse facto costuma ficar escondido enquanto me entretenho com pequenas coisas, para logo depois tornar a subir paredes e dar vigorosas cabeçadas na parede.

Rir por dentro, pisar o calo, olhar o vazio, contar o tempo, ver os meus três ou quatro cabelos brancos, correr sem sair do sitio, um pé grande e um pequeno a mancar. Pano sujo. Nódoa na minha camisola nova. Fisga gigante apontada às minhas trombas. Ramo de árvore enfiado no nariz.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Magoar o nalguedo com tamanho sentimento



Quero apertar o cordão
De uma forma bem forte
De um modo bem enérgico
Os cordões que me traíram
De um modo bem maléfico
Senti as nalgas no chão
Num acto de intenso ardor
Magoar o nalguedo com tal sentimento
Fez com que esse momento
Não se perdesse porventura
Roçando com a nalga no degrau
Experimentando perder o controlo
Numa queda que assim perdura
O meu cordão apertar
Para nunca mais cair
Apertar com precisão
De ter o nó firme, sempre
Hoje e perpétuamente
Um bom aperto no cordão

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Os perigos (a curto prazo) de dormir com um ninja


imagem retirada do filme que como se de uma enciclopedia ninja se tratasse, me ensinou tudo o que precisava sobre...ninjas: O Ninja das Caldas

Para meu infortúnio tenho dormido na companhia de um ninja, se bem que inicialmente não tivesse dado qualquer importância, julgando tratar-se de uma freira. Esta noite tudo mudou, acabei por concluir que dormia com um ninja. E eu (pobre de mim) sem qualquer preparação em artes marciais, exceptuando as técnicas absorvidas aquando do visionamento de pérolas cinematográficas tais como o Kung Pow - Punhos de Aço, onde o 'Escolhido' tenta vingar a morte da sua família. O Master Pain (que gosta de ser chamado de Betty) é o vilão implacável. A aparição da miúda mono-teta que a cada passo solta um wiwiwiwiwi mais a cena da vaca completam o meu treino no que respeita às artes marciais. Mas mesmo tendo assistido aos filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris e ao genial Ninja das Caldas nada me assustou mais do que constatar que partilho a cama com um assassino, uma máquina exímia em escuxinar pessoas. Ainda para mais... arghhhhh

Eu bem a tentei impedir - método utilizado: acedi a entrar numa grande superfície comercial, numa tarde de domingo, com o intuito de comprar artigos de higiene intima, algo que me fez estremecer e agonizar, mas a missão, com elevado grau de dificuldade foi cumprida com distinção, agora não (estou aqui a falar com os senhores) não!!! arghhh, smuchh, autch, argh...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Dedo no nariz



Planeara eu um dia poder enfiar o dedo no nariz
Com o meu dedo,
Tencionara poder sentir, o dedo no nariz
Tocar o ranho aquecido, poder senti-lo
Desejava, um dia, num simples gesto
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
E ainda que por muito pouco durasse,
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Quisera eu sentir um toque de magia,
Num momento de fascínio sentir o dedo no nariz
Romper esta comichão incomodativa
Que me sustenta a angustia
No meu nariz
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Anseio assim, coçar o nariz
E minorar esta sensação
Sem nunca mais sentir esta ranhola
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Preciso de um lenço de papel…
Dois albuns para ouvir durante o dia de hoje

Agua De Annique - Air



Ora bem, devem conhecer a Anneke van Giersbergen, ex-vocalista dos The Gathering que criou outra banda, os Agua de Annique... agora vou continuar a ouvir o disco que está bastante agradável...

Anoushka Shankar - Breathing Under Water



Ai a Anoushka! Que neste álbum se aproxima do conceito comercial, uma boa dose de exotismo que cria um ambiente de conforto, afagando-nos a alma, envolvendo-nos num clima de paz e amor (ok, admito que estou a exagerar um pouco) a cada acorde da sua cítara. Esta menina é irmã da Norah Jones que também participa neste álbum, a par do seu papá, o virtuoso Ravi Shankar e do Sting). Aconselho que escutem este disco com a atenção que a Anoushka merece.

Anoushka! Lembras-te de mim? Em 2002 nas caldinhas? Se sim dá uma apitadela!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A arte de não dobrar meias, eis o que dá



Este vídeo amador é a derradeira prova de que sou molestado. E porquê? Tudo pela minha inabilidade de dobrar as meias. Após esta contundente prova não restam dúvidas de que preciso de um qualquer workshop na arte da dobragem das meias! Logo que cure as feridas e que as nódoas negras desapareçam farei uma aparição pública. Com que cara poderei agora entrar no café Caçador?
Os monstros de ontem que irão atacar amanhã, ou depois de amanhã



Algures na mata, escondido num tronco, ou até mesmo na minha fronte. Mesmo ma ponta do meu nariz. Entrando pelos buracos, ranho adentro, fluindo através da minha pilosidade nasal. Serpenteando pelo muco, a tentar alcançar o meu cérebro. Quão infelizes serão eles! Nunca penetrarão no meu cérebro, na muralha erguida a cada pensamento, criando uma barreira inviolável. Que quererão eles do meu cérebro? Nada possui de valor. Gosma colada nas bordas cinzentas! Entulho impedindo a mente de sair pelas orelhas. Orelhas que servem para bloquear ideias, criando cera, fazendo com que as ideias escorreguem de volta ao seu lugar, para o vazio da minha mente. Que querem eles, seres que da mata saíram, mata escura e espinhosa cheia de bichos que me roem as ideias. São uns monstros, é o que são!
A corda



Ali pendurado na corda
Pescoço esguio a tentar escapar
corda esticada
corpo inanimado
corpo amarrado
corda a rasgar
corpo a cair
lama na face
lama musguenta
lodo que suja a face
face esganada pela corda
quem colocou ali a corda?
quem o matou?
corda estranha
na mala do carro
fita vermelha atada na corda
na mala do meu carro
carro avariado
terá sido a corda?
por certo não!
Led Zeppelin em Portugal, afinal só em DVD

Julee Cruise em Braga



A Julee (trato-a desta maneira informal, pois ela quase faz parte da minha vida, ai a Julee (suspiro), mas o suspiro reporta à minha adolescência, enquanto seguia o drama da desafortunada da Laura Palmer, uma lágrima me escorria no recanto do olho ao ouvir este tema:



Bem sei que um homem não chora, e aquilo não era chorar, talvez tenha sido um cisco no olho, bem no meio do olho, provocando um lacrimejar, causado talvez pelo corpo estranho da canção que desperta emoção, talvez até, quem sabe, um qualquer fragmento invasor, o qual apenas se retirava ao fim da canção) traz o seu projecto ao Theatro Circo em Braga, no dia 18 de Fevereiro. Este concerto será o único em Portugal e serve para apresentar o seu trabalho mais recente, o álbum The Monstrous Surplus, o qual tenho ouvido desenfreadamente.

Os bilhetes andam por aí a 15 euros cada… A correr bem lá estarei, babado em frente ao palco…
Embrenhar no negrume da selva, para depois acordar



Eu vou, mas não quero ir. O bilhete está na mão, mas a querença cede, tal como se fosse uma ancora bolorenta. Não quero ir. Nem sequer devo ir. Qual o porquê da súbita viagem? E logo para o Zimbabwe? Por fim acordo, coço a nalga esquerda, a perna está dormente. Porra! O suor goteja pela minha focinheira, viro-me para o lado e adormeço de novo.
8 e meia da manhã



Nota introdutória à narrativa: não existe lógica nesta narração. Os intervenientes não passam de corpos dissidentes do devaneio febril do sujeito que rabisca estas porcarias.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Cá está a primeira playlist de 2008

Não existe qualquer critério na selecção das músicas, apenas registo algumas das quais deixaram marcas, que me disseram algo, que me tocaram. Na sua maioria remontam a 2007, mas algumas mais antigas persistem em penetrar na lista. Brevemente apregoarei os álbuns que mais tocaram na minha grafonola durante o ano transacto.

Regina Spektor - Us



Robert Plant & Alison Krauss - Sister Rosetta Goes Before Us(2007)



Gogol Bordello - Wonderlust King(2007)



April March - Up Above



Spoon – The Underdog(2007)



30 Seconds To Mars – The Kill



The Editors - An End Has A Start(2007)



The Organ – Brother



Tegan & Sara - Back In Your Head(2007)



Joanna Newsom - Sprout And The Bean



The Decemberists - O Valencia!



The Veils - Calliope



Gomez – See The World



Mates Of State - Like u Crazy



The Shins - Phantom Limb(2007)



Radiohead - Jigsaw Falling Into Place(2007)



Rilo Kiley - Portions of Foxes



José González – Teardrop(2007)



Arcade Fire - Intervention(2007)



Gorillaz - Bill Murray



Foo Figthers - Long Road To Ruin(2007)



Bjork - Declare Independence(2007)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nouvelle Vague em Guimarães

Este post apenas serve para comunicar que fui um dos presentes no concerto dos Nouvelle Vague que decorreu em Guimarães em Dezembro passado, aqui deixo um cheirinho do que lá se passou. A banda francesa, desde há muito uma das minhas favoritas, baseou a actuação a tocar covers, passando pelos inevitáveis e intemporais: Blue Monday dos New Order, The Killing Moon dos Echo & the Bunnymen, Heart of Glass dos Blondie, e mais uma dezenas de canções memoráveis.
Aqui fica um cheirinho, uma versão dos Joy Division: Love Will Tear Us Apart

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Regresso ao Café Caçador Parte II, Capítulo 1



Trata-se de um lugar nada convencional. Embora possua mesas, fregueses e um balcão, não se trata de um simples botequim! Uma abominação que visa provocar sensações distintas a quem lá passa, em todas as suas variantes, do mais tradicional às novas (antigas) tendências. Possui como principal objectivo proporcionar um poiso a criaturas esquivas, dotadas de estranhas pilosidades faciais, categoria na qual orgulhosamente me incluo.
Jesus ama todos nozes (castanhas)!









Noite de Nostalgia







segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Os marmanjos em volta do fogaréu

E lá passou mais uma noite, na orla do bosque que circula aquela lareira, labaredas encostadas aos bigodes, cheiro a castanhas a entranhar-se nas roupas, conversas parvas e inconsequentes a preencher o ar gélido que penetrava através de uma teimosa frincha. A gastar o tempo, apanhando com fumo nas ventas e aturando as discussões entre o Jorge e o Edgar, tragando um copo de um qualquer liquido reconfortante...
O Porco Vadio



Fui resgatado mesmo a tempo pelo Jorge, que penetrou através das labaredas dos bidons incandescentes que soltavam fagulhos gigantes e das cervejas bem geladinhas que deslizavam garganta abaixo. Tudo isto após ter descascado um sem número de castanhas impregnadas de larvas, esperando desse modo poder mordiscar um pouco do porco vadio, animal de porte mediano, com um alto teor de estupidez. Rebelde e mordaz nas suas palavras, boémio por natureza. Não cheguei a ver o porco, ficando sem saber (graças ao fabuloso resgate perpretado pelo Zé Jorge) se seria eu que estava na ementa, o que me estranha - não a parte do porco, mas sim a do vadio - pois já passei essa fase, pois agora dou preferência a ficar bem instalado minha casinha, aconchegado por umas belas pantufas... em vez de ir emborcar bagaço...