A minha vida dava um filme indiano, parte V
segunda-feira, 26 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Banda sonora para uma segunda de manhã
...plena de abafamento, como se fosse um ouriço a quem tivessem arrancado os espinhos um a um e lhe tivessem cuspido em cima, continuo assim numa ânsia de terminar o dia mantendo a sanidade mental
Joan Baez - Here's To You
Divine Comedy - Miranda
Ryan Adams - I Taught Myself How To Grow Old
Cat Stevens - Tea for the Tillerman
The Alan Parsons Project - Timelight
Talking Heads - (Nothing But) Flowers
Johnny Cash - Ring of Fire
The Editors - Sparks
George Harrison - When We Was Fab
Alice Cooper - I Never Cry
The Fratellis - All Along The Watchtower
The Stranglers - Peaches
Bat For Lashes - Sad Eyes
Daniel Johnston - I Had Lost My Mind
Babyshambles - Delivery
Lynyrd Skynyrd - Simple Man
Jefferson Airplane - White Rabit
Bob Dylan - The Man In Me
Mad Season - River of Deceit
Turin Breaks - Underdog
Anja Garbarek - The Last Trick
Belle And Sebastian - Here Comes The Sun
Led Zeppelin - Thank You
The Kinks - Nothing In This World Can Stop Me Worrin' Bout That Girl
Neil Young - Heart Of Gold
The Smiths - Girlfriend In A Coma
My Morning Jacket - Chills
Charlotte Gainsbourg - The Songs that We Sing
...plena de abafamento, como se fosse um ouriço a quem tivessem arrancado os espinhos um a um e lhe tivessem cuspido em cima, continuo assim numa ânsia de terminar o dia mantendo a sanidade mental
Joan Baez - Here's To You
Divine Comedy - Miranda
Ryan Adams - I Taught Myself How To Grow Old
Cat Stevens - Tea for the Tillerman
The Alan Parsons Project - Timelight
Talking Heads - (Nothing But) Flowers
Johnny Cash - Ring of Fire
The Editors - Sparks
George Harrison - When We Was Fab
Alice Cooper - I Never Cry
The Fratellis - All Along The Watchtower
The Stranglers - Peaches
Bat For Lashes - Sad Eyes
Daniel Johnston - I Had Lost My Mind
Babyshambles - Delivery
Lynyrd Skynyrd - Simple Man
Jefferson Airplane - White Rabit
Bob Dylan - The Man In Me
Mad Season - River of Deceit
Turin Breaks - Underdog
Anja Garbarek - The Last Trick
Belle And Sebastian - Here Comes The Sun
Led Zeppelin - Thank You
The Kinks - Nothing In This World Can Stop Me Worrin' Bout That Girl
Neil Young - Heart Of Gold
The Smiths - Girlfriend In A Coma
My Morning Jacket - Chills
Charlotte Gainsbourg - The Songs that We Sing
segunda-feira, 5 de maio de 2008
A batalha do Campo Grande

Com quase dois anos volvidos desde o lançamento da primeira obra, venho orgulhosamente anunciar orgulhosamente que o volume de vendas foi nulo. Nem um único exemplar vendido, o que demonstra de forma clara e inequívoca que o rumo que tracei se mantém inviolável.
Ao quinto dia do quarto mês do ano de dois mil e sete, ano e meio, após o vínculo amorável entre o Cavaleiro e a Princesa, o mal desatou a assombrar a sua vida como parelha carnal.
O mal, personificado nas tarefas domésticas, cedo causou transtornos na apaixonada conexão, contudo foi quase sempre superado.
O Cavaleiro, de mãos calejadas, e a Princesa de mãos perfeitas, como se tivessem sido esculpidas pelo maior dos artistas, cedo se desinteressaram das lides da casa. Com esta atitude desmazelada, o palácio foi-se degradando ao ponto de eles se verem forçados a encarar a situação. Esta rudimentar crise teve como manivela de ignição o findar da batalha do Campo Grande.

A Batalha do Campo Grande, ocorrida no jardim com o mesmo nome, constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da relação entre o jovem casal. O palácio ficava num primeiro andar, mesmo em frente ao local da batalha. Deste modo o destemido Cavaleiro manjava e pernoitava em casa. Sem esta guerra, o pequeno reino governado pela Princesa teria sido conquistado pelos espanhóis, muito provavelmente, pois eles ainda estavam de olho, tentando deitar ao nosso bem mais protegido: as colheres de pau com alças. O contributo da Princesa foi primordial, pois era ela quem, todos os dias, preparava cuidadosamente o farnel do líder da quezília que defendia o orgulho nacional. Uma sandes de atum e um iogurte, era o que alimentava o Cavaleiro, mantendo-o rijo e fisicamente apto para o duro embate com o seu histórico arqui-inimigo. O seu secular rival: Sujeito a Reboque, este malfeitor liderava o exército inimigo, numa batalha que por acaso não figura nos livros de história, mas que foi das mais marcantes da idade medianeira, algures entre a centúria de 1980 e 1983, altura em que o Cavaleiro adveio ao mundo, tal como o conhecemos hoje, aquando da sua ascensão, abandonando o engatinhar fugaz.

Por um lado, a batalha foi útil para defender o orgulho nacional, mas por outro lado serviu de fosso entre os dois enamorados. O Cavaleiro combatia de sol a sol, não cumprindo as suas obrigações conjugais.
As disputas conjugais, normais em qualquer relação eram de tal modo conflituosas que até o exército atacante recuava, logo que as discussões conjugais se iniciavam, temendo pela sua integridade.
E foi graças a ela que eles dispersaram, recolheram ao seu reino. A Princesa decidiu terminar com a brincadeira do Cavaleiro, arregaçou as mangas, lançando uma demandada de estaladas na cara dos espanhóis, forçando-os a desertar e abandonar aquela campanha. Nunca mais os castelhanos se viram capazes de reunir um número suficiente de homens, de modo a ameaçar o pequeno reino luso. A batalha que durava fazia dois anos e meio, findou ao sentir o peso da mão da Princesa. Nos séculos passados bem como nos vindouros, a lenda da Princesa irá perdurar.
continua...

Com quase dois anos volvidos desde o lançamento da primeira obra, venho orgulhosamente anunciar orgulhosamente que o volume de vendas foi nulo. Nem um único exemplar vendido, o que demonstra de forma clara e inequívoca que o rumo que tracei se mantém inviolável.
Ao quinto dia do quarto mês do ano de dois mil e sete, ano e meio, após o vínculo amorável entre o Cavaleiro e a Princesa, o mal desatou a assombrar a sua vida como parelha carnal.
O mal, personificado nas tarefas domésticas, cedo causou transtornos na apaixonada conexão, contudo foi quase sempre superado.
O Cavaleiro, de mãos calejadas, e a Princesa de mãos perfeitas, como se tivessem sido esculpidas pelo maior dos artistas, cedo se desinteressaram das lides da casa. Com esta atitude desmazelada, o palácio foi-se degradando ao ponto de eles se verem forçados a encarar a situação. Esta rudimentar crise teve como manivela de ignição o findar da batalha do Campo Grande.

A Batalha do Campo Grande, ocorrida no jardim com o mesmo nome, constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da relação entre o jovem casal. O palácio ficava num primeiro andar, mesmo em frente ao local da batalha. Deste modo o destemido Cavaleiro manjava e pernoitava em casa. Sem esta guerra, o pequeno reino governado pela Princesa teria sido conquistado pelos espanhóis, muito provavelmente, pois eles ainda estavam de olho, tentando deitar ao nosso bem mais protegido: as colheres de pau com alças. O contributo da Princesa foi primordial, pois era ela quem, todos os dias, preparava cuidadosamente o farnel do líder da quezília que defendia o orgulho nacional. Uma sandes de atum e um iogurte, era o que alimentava o Cavaleiro, mantendo-o rijo e fisicamente apto para o duro embate com o seu histórico arqui-inimigo. O seu secular rival: Sujeito a Reboque, este malfeitor liderava o exército inimigo, numa batalha que por acaso não figura nos livros de história, mas que foi das mais marcantes da idade medianeira, algures entre a centúria de 1980 e 1983, altura em que o Cavaleiro adveio ao mundo, tal como o conhecemos hoje, aquando da sua ascensão, abandonando o engatinhar fugaz.

Por um lado, a batalha foi útil para defender o orgulho nacional, mas por outro lado serviu de fosso entre os dois enamorados. O Cavaleiro combatia de sol a sol, não cumprindo as suas obrigações conjugais.
As disputas conjugais, normais em qualquer relação eram de tal modo conflituosas que até o exército atacante recuava, logo que as discussões conjugais se iniciavam, temendo pela sua integridade.
E foi graças a ela que eles dispersaram, recolheram ao seu reino. A Princesa decidiu terminar com a brincadeira do Cavaleiro, arregaçou as mangas, lançando uma demandada de estaladas na cara dos espanhóis, forçando-os a desertar e abandonar aquela campanha. Nunca mais os castelhanos se viram capazes de reunir um número suficiente de homens, de modo a ameaçar o pequeno reino luso. A batalha que durava fazia dois anos e meio, findou ao sentir o peso da mão da Princesa. Nos séculos passados bem como nos vindouros, a lenda da Princesa irá perdurar.
continua...
O regresso do ninja

Depois veio o ninja, e na presença de um possante caule de melancia vacilou, recuando meia dúzia de passos, refugiando-se na distância que o separava do vaso.
O que faz um ninja malvado à porta da minha casa? Que quererá ele? Terá sido contratado? Virá em causa própria? Tenho mesmo de resguardar o meu precioso vaso!
Um vaso verdejante, carregando ervas daninhas que vão chupando a água, roubando-a à minha amada melancia. Planta trôpega, necessitada de carinho. Sedenta de uma atenção que não lhe posso dar em virtude da sua própria segurança face aos horrores que os meus inimigos lhe querem infligir. Nunca uma pobre melancia havia sido alvo de tanto ódio e ganância. Planta que não cresce. Planta que não morre, planta que ali paira, inerte, ligeiramente inclinada, de caule torto, pescoço dobrado, folhas mastigadas pelos bichos que lá as vão trincando.
Escondo o vaso debaixo da janela, longe do alcance do ninja e dos mal intencionados bichos, mas sem grande sucesso, pois os bandidos logo mo descobrem. Levo-o para dentro de casa. Talvez seja a atitude mais imprudente. Uma vez no interior, no conforto proporcionado pela minha casa surge um ser (que por acaso) vive comigo, sendo esse uma criatura bem capaz te combater o meu pé de melancia, que comparado com o meu, cheira bastante menos mal. O ser que compartilha os meus aposentos? O arqui-inimigo da minha melancia, não sabendo eu se por ciúmes ou por pura ruindade.
O seu pé no pé da melancia.
Depois veio o ninja, e na presença de um possante caule de melancia vacilou, recuando meia dúzia de passos, refugiando-se na distância que o separava do vaso.
O que faz um ninja malvado à porta da minha casa? Que quererá ele? Terá sido contratado? Virá em causa própria? Tenho mesmo de resguardar o meu precioso vaso!
Um vaso verdejante, carregando ervas daninhas que vão chupando a água, roubando-a à minha amada melancia. Planta trôpega, necessitada de carinho. Sedenta de uma atenção que não lhe posso dar em virtude da sua própria segurança face aos horrores que os meus inimigos lhe querem infligir. Nunca uma pobre melancia havia sido alvo de tanto ódio e ganância. Planta que não cresce. Planta que não morre, planta que ali paira, inerte, ligeiramente inclinada, de caule torto, pescoço dobrado, folhas mastigadas pelos bichos que lá as vão trincando.
Escondo o vaso debaixo da janela, longe do alcance do ninja e dos mal intencionados bichos, mas sem grande sucesso, pois os bandidos logo mo descobrem. Levo-o para dentro de casa. Talvez seja a atitude mais imprudente. Uma vez no interior, no conforto proporcionado pela minha casa surge um ser (que por acaso) vive comigo, sendo esse uma criatura bem capaz te combater o meu pé de melancia, que comparado com o meu, cheira bastante menos mal. O ser que compartilha os meus aposentos? O arqui-inimigo da minha melancia, não sabendo eu se por ciúmes ou por pura ruindade.
O seu pé no pé da melancia.
Rebanho de dentes trincando uma côdea dura

Rebanho de dentes trincando uma côdea dura, caída de um balcão, ali, no escuro. Côdea recalcada por um sem número de pés. Marteladas infligidas por um punho calejado mas arestas do solo frio e infértil. Cheiro a frutos secos e cristalizados completamente indolores. Incapaz de se ver no espelho feito em cacos resultante de um golpe de espada ainda presa na bainha. Revolta cordial, respeitosamente contida.

Rebanho de dentes trincando uma côdea dura, caída de um balcão, ali, no escuro. Côdea recalcada por um sem número de pés. Marteladas infligidas por um punho calejado mas arestas do solo frio e infértil. Cheiro a frutos secos e cristalizados completamente indolores. Incapaz de se ver no espelho feito em cacos resultante de um golpe de espada ainda presa na bainha. Revolta cordial, respeitosamente contida.
Esta terra não é para melancias

Umas sementes colocadas na terra, mas não por acaso. Uma mão lá as colocou, suavemente na terra fofa. Um punhado de pequenos grãos, umas ovas de melancia enfiadas num buraquinho. Dois caroços negros, retirados de uma pêra abacate.
Foi este o procedimento, religiosamente seguido. Três semanas se passaram, e eu, pacientemente a dedicar o meu cândido afecto ao estúpido vaso. Conversando com as mui nobres sementes, trocando ideias, debatendo diversos assuntos, contando histórias de embalar, regando-as com café. E para quê? Apenas ervas cresciam naquele vaso, como que troçando de mim. Ervas arrancadas uma a uma para pouco depois constatar que algo mais havia florescido. Um magnifico pé de coentros, vindo do nada.

Umas sementes colocadas na terra, mas não por acaso. Uma mão lá as colocou, suavemente na terra fofa. Um punhado de pequenos grãos, umas ovas de melancia enfiadas num buraquinho. Dois caroços negros, retirados de uma pêra abacate.
Foi este o procedimento, religiosamente seguido. Três semanas se passaram, e eu, pacientemente a dedicar o meu cândido afecto ao estúpido vaso. Conversando com as mui nobres sementes, trocando ideias, debatendo diversos assuntos, contando histórias de embalar, regando-as com café. E para quê? Apenas ervas cresciam naquele vaso, como que troçando de mim. Ervas arrancadas uma a uma para pouco depois constatar que algo mais havia florescido. Um magnifico pé de coentros, vindo do nada.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Lista de compras para um dia chuvoso

Peras para eu crescer viril
Cenouras para ficar com os olhos formosos
Tomates para ver se me torno num homem
Cogumelos para ver se fico ainda mais alienado
Massa para ficar rijo com um touro (de morte)
Arroz (que raios, estou farto de comer arroz)
Iogurtes líquidos para bebericar no comboio
Natas para lamber as beiças
Ananás em calda para terminar a refeição com a boca açucarada
Latas de atum para o caso de a humanidade estar a ser atacada por bichos (para poder petiscar no sótão secreto do armário)
Batatas Fritas por pura lambarice
Cebolas para poder soltar umas lágrimas sem perder a pose de macho
Couves que são óptimas para limpar o rabo (no caso de estarmos no meio do campo e não existir nada com que o limpar)
Bacon aos pedacinhos para cozinhar a minha especialidade (o que provoca desprazer a quem o experiência)
Cerveja para poder arrotar alarvemente enquanto faço coisas másculas
Queijo para comer à manada sempre que me apetecer
Pão para penicar enquanto como o queijo
Sumos porque na minha casa existe quem não beba álcool e me chateia a cachola por eu sorver uma bejeca fresquinha
Ovos para se partirem durante a viagem
Desodorizante para disfarçar o fedor emanado da sovaqueira

Peras para eu crescer viril
Cenouras para ficar com os olhos formosos
Tomates para ver se me torno num homem
Cogumelos para ver se fico ainda mais alienado
Massa para ficar rijo com um touro (de morte)
Arroz (que raios, estou farto de comer arroz)
Iogurtes líquidos para bebericar no comboio
Natas para lamber as beiças
Ananás em calda para terminar a refeição com a boca açucarada
Latas de atum para o caso de a humanidade estar a ser atacada por bichos (para poder petiscar no sótão secreto do armário)
Batatas Fritas por pura lambarice
Cebolas para poder soltar umas lágrimas sem perder a pose de macho
Couves que são óptimas para limpar o rabo (no caso de estarmos no meio do campo e não existir nada com que o limpar)
Bacon aos pedacinhos para cozinhar a minha especialidade (o que provoca desprazer a quem o experiência)
Cerveja para poder arrotar alarvemente enquanto faço coisas másculas
Queijo para comer à manada sempre que me apetecer
Pão para penicar enquanto como o queijo
Sumos porque na minha casa existe quem não beba álcool e me chateia a cachola por eu sorver uma bejeca fresquinha
Ovos para se partirem durante a viagem
Desodorizante para disfarçar o fedor emanado da sovaqueira
segunda-feira, 17 de março de 2008
Diário de bordo, de um comboio que pega em mim e me leva para onde ele vai

O pijama dobrado na cama, imaculadamente engomado, pousado no lençol suado. Lágrima que cai, deixando marcas vincadas que em vão se tentam esconder perto de mim, se assim o poderei dizer! Poder dizer no fim, e então: mostrar-lhe (para sempre). Tensão terrível que me faz gritar, ecoa atabalhoadamente na minha cabeça, queima-me. O poste sob o muro da casa junto ao rio, e eu na outra margem que me devolve o olhar curioso. Peixe podre na varanda, sonhando em ver a noite de pernas para o ar, enterrando as orelhas nas lâmpadas, perdendo as rédeas. O arranhar das unhas na pele macia, fazendo com que o meu acordar seja ingrato. Cuspo para o ar, sou de novo bafejado pelo fluxo vigoroso de uma chapada que falhou o alvo, deambulando no ar.
Uma nova alma neste mundo. Medo de falhar, de perder a distância que ainda falta percorrer. Sensação estranha esta que rebola nas minhas tripas mal cheirosas. Agarro o poste (do lado de fora) que me foge, deixo-o ir. Fico de mãos vazias coladas no vidro da janela. O final feliz que não aparece, parece-me um engano. Um possível engano que me persegue em passo de corrida, vagueando apressadamente, eternamente, sempre pronto para partir em direcção ao limite. Desgovernado, perco o norte, ali a olhar o sol, nunca me perdoando por algo que ainda não fiz (nem que devia ter feito).
Mais uma vez o tempo, preso na parede, da noite passando para o dia, voltando ao ponto de partida se qualquer noção de o ter feito, sem lembrança. Um arrepio gélido atravessa-me a espinha, um tufo de gelo percorre-me as veias que vão engrossando com o crescente nervosismo, como se estivesse numa gaiola enferrujada, de onde não esperava sair, mas de onde tentava a fuga. Porém ainda não fora desta que reunira as necessárias forças (vou trincando uma bolacha) que me eram sugadas pela desilusão. Mais uma vez espreito pela janela. O meu pé esquerdo dormente, a perder lentamente a sensibilidade, o chão move-se, saltito em passo de corrida. Um som vem do lado de fora, sempre o mesmo som. Ainda não venci o meu medo, mais uma vez havia perdido a coragem de esticar o pescoço além dos limites impostos pela janela, mais uma vez ficara a desconhecer o dono de tal som que ecoava nas minhas orelhas. Uma comichão começa a arrepanhar-me o pescoço, mas a preguiça não mo permite coçar. Coço para a semana (pensei eu):
- Na verdade, se queres saber, estou-me a cagar para tudo isto. Desisto!
Esta ideia de derrotismo não me saia da mente, apesar de em certas alturas esse facto costuma ficar escondido enquanto me entretenho com pequenas coisas, para logo depois tornar a subir paredes e dar vigorosas cabeçadas na parede.
Rir por dentro, pisar o calo, olhar o vazio, contar o tempo, ver os meus três ou quatro cabelos brancos, correr sem sair do sitio, um pé grande e um pequeno a mancar. Pano sujo. Nódoa na minha camisola nova. Fisga gigante apontada às minhas trombas. Ramo de árvore enfiado no nariz.

O pijama dobrado na cama, imaculadamente engomado, pousado no lençol suado. Lágrima que cai, deixando marcas vincadas que em vão se tentam esconder perto de mim, se assim o poderei dizer! Poder dizer no fim, e então: mostrar-lhe (para sempre). Tensão terrível que me faz gritar, ecoa atabalhoadamente na minha cabeça, queima-me. O poste sob o muro da casa junto ao rio, e eu na outra margem que me devolve o olhar curioso. Peixe podre na varanda, sonhando em ver a noite de pernas para o ar, enterrando as orelhas nas lâmpadas, perdendo as rédeas. O arranhar das unhas na pele macia, fazendo com que o meu acordar seja ingrato. Cuspo para o ar, sou de novo bafejado pelo fluxo vigoroso de uma chapada que falhou o alvo, deambulando no ar.
Uma nova alma neste mundo. Medo de falhar, de perder a distância que ainda falta percorrer. Sensação estranha esta que rebola nas minhas tripas mal cheirosas. Agarro o poste (do lado de fora) que me foge, deixo-o ir. Fico de mãos vazias coladas no vidro da janela. O final feliz que não aparece, parece-me um engano. Um possível engano que me persegue em passo de corrida, vagueando apressadamente, eternamente, sempre pronto para partir em direcção ao limite. Desgovernado, perco o norte, ali a olhar o sol, nunca me perdoando por algo que ainda não fiz (nem que devia ter feito).
Mais uma vez o tempo, preso na parede, da noite passando para o dia, voltando ao ponto de partida se qualquer noção de o ter feito, sem lembrança. Um arrepio gélido atravessa-me a espinha, um tufo de gelo percorre-me as veias que vão engrossando com o crescente nervosismo, como se estivesse numa gaiola enferrujada, de onde não esperava sair, mas de onde tentava a fuga. Porém ainda não fora desta que reunira as necessárias forças (vou trincando uma bolacha) que me eram sugadas pela desilusão. Mais uma vez espreito pela janela. O meu pé esquerdo dormente, a perder lentamente a sensibilidade, o chão move-se, saltito em passo de corrida. Um som vem do lado de fora, sempre o mesmo som. Ainda não venci o meu medo, mais uma vez havia perdido a coragem de esticar o pescoço além dos limites impostos pela janela, mais uma vez ficara a desconhecer o dono de tal som que ecoava nas minhas orelhas. Uma comichão começa a arrepanhar-me o pescoço, mas a preguiça não mo permite coçar. Coço para a semana (pensei eu):
- Na verdade, se queres saber, estou-me a cagar para tudo isto. Desisto!
Esta ideia de derrotismo não me saia da mente, apesar de em certas alturas esse facto costuma ficar escondido enquanto me entretenho com pequenas coisas, para logo depois tornar a subir paredes e dar vigorosas cabeçadas na parede.
Rir por dentro, pisar o calo, olhar o vazio, contar o tempo, ver os meus três ou quatro cabelos brancos, correr sem sair do sitio, um pé grande e um pequeno a mancar. Pano sujo. Nódoa na minha camisola nova. Fisga gigante apontada às minhas trombas. Ramo de árvore enfiado no nariz.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Magoar o nalguedo com tamanho sentimento

Quero apertar o cordão
De uma forma bem forte
De um modo bem enérgico
Os cordões que me traíram
De um modo bem maléfico
Senti as nalgas no chão
Num acto de intenso ardor
Magoar o nalguedo com tal sentimento
Fez com que esse momento
Não se perdesse porventura
Roçando com a nalga no degrau
Experimentando perder o controlo
Numa queda que assim perdura
O meu cordão apertar
Para nunca mais cair
Apertar com precisão
De ter o nó firme, sempre
Hoje e perpétuamente
Um bom aperto no cordão

Quero apertar o cordão
De uma forma bem forte
De um modo bem enérgico
Os cordões que me traíram
De um modo bem maléfico
Senti as nalgas no chão
Num acto de intenso ardor
Magoar o nalguedo com tal sentimento
Fez com que esse momento
Não se perdesse porventura
Roçando com a nalga no degrau
Experimentando perder o controlo
Numa queda que assim perdura
O meu cordão apertar
Para nunca mais cair
Apertar com precisão
De ter o nó firme, sempre
Hoje e perpétuamente
Um bom aperto no cordão
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Os perigos (a curto prazo) de dormir com um ninja

imagem retirada do filme que como se de uma enciclopedia ninja se tratasse, me ensinou tudo o que precisava sobre...ninjas: O Ninja das Caldas
Para meu infortúnio tenho dormido na companhia de um ninja, se bem que inicialmente não tivesse dado qualquer importância, julgando tratar-se de uma freira. Esta noite tudo mudou, acabei por concluir que dormia com um ninja. E eu (pobre de mim) sem qualquer preparação em artes marciais, exceptuando as técnicas absorvidas aquando do visionamento de pérolas cinematográficas tais como o Kung Pow - Punhos de Aço, onde o 'Escolhido' tenta vingar a morte da sua família. O Master Pain (que gosta de ser chamado de Betty) é o vilão implacável. A aparição da miúda mono-teta que a cada passo solta um wiwiwiwiwi mais a cena da vaca completam o meu treino no que respeita às artes marciais. Mas mesmo tendo assistido aos filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris e ao genial Ninja das Caldas nada me assustou mais do que constatar que partilho a cama com um assassino, uma máquina exímia em escuxinar pessoas. Ainda para mais... arghhhhh
Eu bem a tentei impedir - método utilizado: acedi a entrar numa grande superfície comercial, numa tarde de domingo, com o intuito de comprar artigos de higiene intima, algo que me fez estremecer e agonizar, mas a missão, com elevado grau de dificuldade foi cumprida com distinção, agora não (estou aqui a falar com os senhores) não!!! arghhh, smuchh, autch, argh...

imagem retirada do filme que como se de uma enciclopedia ninja se tratasse, me ensinou tudo o que precisava sobre...ninjas: O Ninja das Caldas
Para meu infortúnio tenho dormido na companhia de um ninja, se bem que inicialmente não tivesse dado qualquer importância, julgando tratar-se de uma freira. Esta noite tudo mudou, acabei por concluir que dormia com um ninja. E eu (pobre de mim) sem qualquer preparação em artes marciais, exceptuando as técnicas absorvidas aquando do visionamento de pérolas cinematográficas tais como o Kung Pow - Punhos de Aço, onde o 'Escolhido' tenta vingar a morte da sua família. O Master Pain (que gosta de ser chamado de Betty) é o vilão implacável. A aparição da miúda mono-teta que a cada passo solta um wiwiwiwiwi mais a cena da vaca completam o meu treino no que respeita às artes marciais. Mas mesmo tendo assistido aos filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris e ao genial Ninja das Caldas nada me assustou mais do que constatar que partilho a cama com um assassino, uma máquina exímia em escuxinar pessoas. Ainda para mais... arghhhhh
Eu bem a tentei impedir - método utilizado: acedi a entrar numa grande superfície comercial, numa tarde de domingo, com o intuito de comprar artigos de higiene intima, algo que me fez estremecer e agonizar, mas a missão, com elevado grau de dificuldade foi cumprida com distinção, agora não (estou aqui a falar com os senhores) não!!! arghhh, smuchh, autch, argh...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Dedo no nariz

Planeara eu um dia poder enfiar o dedo no nariz
Com o meu dedo,
Tencionara poder sentir, o dedo no nariz
Tocar o ranho aquecido, poder senti-lo
Desejava, um dia, num simples gesto
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
E ainda que por muito pouco durasse,
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Quisera eu sentir um toque de magia,
Num momento de fascínio sentir o dedo no nariz
Romper esta comichão incomodativa
Que me sustenta a angustia
No meu nariz
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Anseio assim, coçar o nariz
E minorar esta sensação
Sem nunca mais sentir esta ranhola
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Preciso de um lenço de papel…
Planeara eu um dia poder enfiar o dedo no nariz
Com o meu dedo,
Tencionara poder sentir, o dedo no nariz
Tocar o ranho aquecido, poder senti-lo
Desejava, um dia, num simples gesto
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
E ainda que por muito pouco durasse,
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Quisera eu sentir um toque de magia,
Num momento de fascínio sentir o dedo no nariz
Romper esta comichão incomodativa
Que me sustenta a angustia
No meu nariz
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Anseio assim, coçar o nariz
E minorar esta sensação
Sem nunca mais sentir esta ranhola
Sentir-me aliviado, sentir-me assim
Preciso de um lenço de papel…
Dois albuns para ouvir durante o dia de hoje
Agua De Annique - Air

Ora bem, devem conhecer a Anneke van Giersbergen, ex-vocalista dos The Gathering que criou outra banda, os Agua de Annique... agora vou continuar a ouvir o disco que está bastante agradável...
Anoushka Shankar - Breathing Under Water

Ai a Anoushka! Que neste álbum se aproxima do conceito comercial, uma boa dose de exotismo que cria um ambiente de conforto, afagando-nos a alma, envolvendo-nos num clima de paz e amor (ok, admito que estou a exagerar um pouco) a cada acorde da sua cítara. Esta menina é irmã da Norah Jones que também participa neste álbum, a par do seu papá, o virtuoso Ravi Shankar e do Sting). Aconselho que escutem este disco com a atenção que a Anoushka merece.
Anoushka! Lembras-te de mim? Em 2002 nas caldinhas? Se sim dá uma apitadela!
Agua De Annique - Air

Ora bem, devem conhecer a Anneke van Giersbergen, ex-vocalista dos The Gathering que criou outra banda, os Agua de Annique... agora vou continuar a ouvir o disco que está bastante agradável...
Anoushka Shankar - Breathing Under Water

Ai a Anoushka! Que neste álbum se aproxima do conceito comercial, uma boa dose de exotismo que cria um ambiente de conforto, afagando-nos a alma, envolvendo-nos num clima de paz e amor (ok, admito que estou a exagerar um pouco) a cada acorde da sua cítara. Esta menina é irmã da Norah Jones que também participa neste álbum, a par do seu papá, o virtuoso Ravi Shankar e do Sting). Aconselho que escutem este disco com a atenção que a Anoushka merece.
Anoushka! Lembras-te de mim? Em 2002 nas caldinhas? Se sim dá uma apitadela!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
A arte de não dobrar meias, eis o que dá
Este vídeo amador é a derradeira prova de que sou molestado. E porquê? Tudo pela minha inabilidade de dobrar as meias. Após esta contundente prova não restam dúvidas de que preciso de um qualquer workshop na arte da dobragem das meias! Logo que cure as feridas e que as nódoas negras desapareçam farei uma aparição pública. Com que cara poderei agora entrar no café Caçador?
Este vídeo amador é a derradeira prova de que sou molestado. E porquê? Tudo pela minha inabilidade de dobrar as meias. Após esta contundente prova não restam dúvidas de que preciso de um qualquer workshop na arte da dobragem das meias! Logo que cure as feridas e que as nódoas negras desapareçam farei uma aparição pública. Com que cara poderei agora entrar no café Caçador?
Os monstros de ontem que irão atacar amanhã, ou depois de amanhã

Algures na mata, escondido num tronco, ou até mesmo na minha fronte. Mesmo ma ponta do meu nariz. Entrando pelos buracos, ranho adentro, fluindo através da minha pilosidade nasal. Serpenteando pelo muco, a tentar alcançar o meu cérebro. Quão infelizes serão eles! Nunca penetrarão no meu cérebro, na muralha erguida a cada pensamento, criando uma barreira inviolável. Que quererão eles do meu cérebro? Nada possui de valor. Gosma colada nas bordas cinzentas! Entulho impedindo a mente de sair pelas orelhas. Orelhas que servem para bloquear ideias, criando cera, fazendo com que as ideias escorreguem de volta ao seu lugar, para o vazio da minha mente. Que querem eles, seres que da mata saíram, mata escura e espinhosa cheia de bichos que me roem as ideias. São uns monstros, é o que são!

Algures na mata, escondido num tronco, ou até mesmo na minha fronte. Mesmo ma ponta do meu nariz. Entrando pelos buracos, ranho adentro, fluindo através da minha pilosidade nasal. Serpenteando pelo muco, a tentar alcançar o meu cérebro. Quão infelizes serão eles! Nunca penetrarão no meu cérebro, na muralha erguida a cada pensamento, criando uma barreira inviolável. Que quererão eles do meu cérebro? Nada possui de valor. Gosma colada nas bordas cinzentas! Entulho impedindo a mente de sair pelas orelhas. Orelhas que servem para bloquear ideias, criando cera, fazendo com que as ideias escorreguem de volta ao seu lugar, para o vazio da minha mente. Que querem eles, seres que da mata saíram, mata escura e espinhosa cheia de bichos que me roem as ideias. São uns monstros, é o que são!
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